Cifoplastia

Uma das perversas conseqüências do envelhecimento é o lento mas progressivo aparecimento do enfraquecimento ósseo caracterizando a osteoporose. A estimativa da Organização Mundial de Saúde (OMS) é que cerca de 1/3 das mulheres brancas com mais de 65 anos de idade sejam portadoras de osteoporose e que, dessas mulheres, até 50% daquelas com mais de 75 anos sofrerão algum tipo de fratura óssea¹.

No Brasil, embora não tenhamos dados oficiais registrados no Ministério da Saúde, trabalho realizado em um serviço de referência na cidade de Recife-PE mostrou que em mulheres com idade de 80 anos ou mais, a prevalência de osteoporose da coluna lombar foi de 54,5% e, dessas, a prevalência de fratura vertebral foi de 81,8%².

A sintomatologia dolorosa é a principal conseqüência da fratura vertebral. Essa dor pode causar incapacidade física por várias semanas ou meses conforme a severidade da fratura ou a deformidade da coluna vertebral (cifose). Lembrar que dor e incapacidade física podem levar a quadros de isolamento social e depressão e, em pacientes com doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), podem piorar a dificuldade respiratória e exacerbar sua sintomatologia³.

Muitos pacientes melhoram com o tratamento conservador que inclui: repouso e analgésicos (opiáceos e não opiáceos) para alívio da dor, exercícios físicos, tratamento de base para osteoporose e mudança de estilo de vida.

Para os pacientes sem sucesso com o tratamento conservador estaria indicado a cifoplastia que é um procedimento cirúrgico minimamente invasivo para tratamento de fraturas vertebrais por compressão da coluna torácica e lombar.

Sua indicação clínica é para fraturas provocadas por osteoporose (classificação de fratura pela escala de Magerl: A1, A2.1 e A2.2) ou lesões osteolíticas (mieloma múltiplo e metástase vertebral).

Importante ressaltar que esse procedimento cirúrgico poderá ser realizado com o paciente somente sedado (associando-se anestesia local) a depender de suas condições clínicas ou anestesia geral.

Para o paciente é importante saber que sua realização tem como objetivos:

  • redução e estabilização da fratura de um modo controlado
  • correção da deformidade da coluna e prevenção de novas fraturas
  • possibilitar ao paciente um possível imediato e prolongado alívio da dor
  • melhora da qualidade de vida.

Para este procedimento, estabilizar uma fratura vertebral significa: recuperar a altura do corpo vertebral criando-se uma cavidade em seu interior com o auxílio de instrumental específico utilizado em cirurgia, permitindo a injeção do cimento cirúrgico polimetilmetacrilato (injetado em consistência pastosa solidifica-se em aproximadamente cinco minutos) dentro da vértebra fraturada para reestabelecer sua resistência as cargas de peso. A logística consiste em introdução de duas cânulas (agulhas) através da pele que, a seguir, orientadas por radioscopia (raio-x que mostra em tempo real a imagem em uma televisão) ultrapassam os pedículos vertebrais para atingirem o corpo vertebral e assim permitir controlar a injeção do cimento (vide figuras abaixo).


A. vértebra normal / B. vértebra fraturada

A. vértebra normal                                                                        B. vértebra fraturada


TÉCNICA CIRÚRGICA

C. Inserção do instrumental cirúrgico na vértebra fraturada

C. Inserção do instrumental cirúrgico na vértebra fraturada e sua dilatação cuidadosa para recompor a altura normal do corpo vertebral e criar uma cavidade em seu interior que é preenchida com um cimento especial para dar suporte ao osso.

Geralmente o paciente recebe alta hospitalar após 24 horas da realização do procedimento a depender do seu estado de saúde e suas doenças associadas.

Complicacões descritas relacionadas ao procedimento incluem: extravasamento de cimento para o canal vertebral e espaço discal, embolia pulmonar e infarto do miocárdio. Contra-indicações: gravidez, infecção e distúrbios da coagulação.


BIBLIOGRAFIA CITADA

1. World Health Organization. Assesment of fracture risk and its apllication to sceening for postmenopausal osteoporosis. Report. Geneve;1994.(WHO-Tecnical Report Series,843).

2. Bandeira F. e Carvalho E.F. Prevalência de osteoporose e fraturas vertebrais em mulheres na pós-menopausa atendidas em serviço de referência. Rev bras epidemiol.2007;10(1):86-98.

3. Ross, P.D. Clinical consequences of vertebral fractures. American Journal of Medicine.1997;103, 30S–43S.
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