I.D.E.T. (Terapia Eletrotérmica Intradiscal)

Terapia eletrotérmica intradiscal (IDET) ou anuloplastia eletrotérmica intradiscal (IDEA) é uma técnica relativamente nova (a U.S. Food and Drug Administration - FDA aprovou o dispositivo para a comercialização em fevereiro de 1998) e minimamente invasiva para o tratamento de dor lombar de origem discal (Figura 1).

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Figura 1. Tratamento eletro-térmico dos discos intervertebrais: catéter flexível introduzido no disco intervertebral através de uma agulha e conectado a aparelho com auto-regulagem de temperatura e parametrizado.


ANATOMIA

A coluna vertebral é composta de 33 ossos chamados vértebras (há 7 cervicais, 12 torácicas, 5 lombares, 5 sacrais e 4 coccígeas), discos intervertebrais, nervos espinhais e ligamentos. As vértebras são separadas por discos, que funcionam como uma almofada entre elas, impedindo - as de esfregar uma contra a outra quando o corpo se move. O disco intervertebral é composto por uma substância gelatinosa interna chamada de núcleo pulposo, que é cercada por um anel externo chamado ânulo fibroso. Esse anel externo é constituído por fibrocartilagem e tecido fibroso mantidos juntos por colágeno tipo I. Problemas realcionados aos discos pode ser causa de dor resultante de fissuras ou protuberâncias que causam pressão sobre os nervos (Figura 2).

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Figura 2. Constituição do disco intervertebral


O QUE É O IDET? O IDET envolve a introdução percutânea de um catéter flexível no disco intervertebral através de uma agulha sob orientação fluoroscópica (raio - x) realizado com anestesia local e sedação leve (Figura 1 e 3).

Quando o catéter está adequadamente posicionado no disco intervertebral por técnica cirúrgica (treinamento especial é necessário e pacientes que procuram esta opção de tratamento deverão consultar a experiência do cirurgião em realizar IDET), ele é ligado e aquece o anel posterior do disco por 15 a 20 minutos (o catéter é composto por bobina de resistência térmica), provocando a contração das fibras de colágeno e lesão dos nociceptores aferenzes (atinge a camada exterior do disco onde os receptores da dor estão localizados).

O alívio da dor tem sido relatado em alguns dias do procedimento e até seis meses após o procedimento. Estudos clínicos iniciais sugerem que IDET pode ser eficaz em cerca de 70% dos pacientes.

Quem é um candidato para INDICAÇÃO DE REALIZAÇÃO DO IDET?

Dor lombar devido a um disco doloroso muitas vezes pode ser tratada com sucesso com exercícios terapêuticos, medicamentos, terapia manual, órtese e abordagens com gerenciamento de dor. Quando a dor continua, apesar destes tratamentos, o IDET (terapia eletrotérmica intradiscal) pode ser uma alternativa a outros procedimentos cirúrgicos. As terapias por radiofrequência aplicadas para dor lombar refratária são tecnologias emergentes com potencial efeito terapêutico benéfico.

Alguns estudos recentes indicam que os benefícios potenciais do IDET são limitadas a um grupo muito específico de pacientes, e, portanto, este tratamento não é susceptível de ser utilizado de forma generalizada .

Assim classicamente suas indicações são: lombalgia crônica com ou sem dor ciática por um período maior que seis meses com falha no tratamento conservador decorrente de Dor Discogênica e Hérnia de Disco Contida.

Como se realiza o IDET?

O procedimento é realizado com anestesia local e sedação endovenosa sob orientação de médico anestesista.

Uma agulha introdutora oca é inserida no espaço do disco lombar doloroso usando uma máquina de raio-x portátil para colocação adequada (Figura 3).

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Figura 3: Um catéter eletrotérmico é inserido e posicionado através de uma agulha ao longo do disco intervertebral.


A ponta do catéter é então lentamente aquecida e o contato com o calor engrossa as fibras de colágeno que compõem a parede do disco intrevertebral promovendo assim o fechamento das fissuras e rachaduras do ânulo fibroso. As minúsculas terminações nervosas dentro dessas fissuras são cauterizadas tornando-as menos sensíveis a geração de dor (Figura 4).

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Figura 4. Com o catéter inserido e posicionado ao redor da circunferência interna do ânulo fibroso a ponta fornece calor para a região da lesão do ânulo fibroso.


O catéter é removido juntamente com a agulha e, após período de observação e controle clínico pós-cirúrgico, que é dependente da recuperação de cada paciente, programa-se a alta hospitalar. Pode ser necessário o uso de analgesia leve devido algum desconforto lombar pela introdução e posicionamento da agulha durante o procedimento. Precauções de extensão, flexão e torção da coluna lombar são necessárias durante este tempo para permitir cicatrização adequada do disco.

Potenciais complicações relacionadas ao procedimento IDET incluem:

  • dor nas costas persistente é esperado durante a primeira semana após o procedimento IDET
  • lesão de raiz nervosa: como em discografia há sempre algum risco de lesão nervosa (manter o paciente acordado e responsivo sob sedação leve + anestesia local ajuda a evitar este problema)
  • quebra do catéter: manipulação excessiva do catéter flexível pode fazer com que ele dobre e quebre no interior do disco


BIBLIOGRAFIA CITADA


1. Karasek, M.; Bogduk, N. Twelve-month follow-up of a controlled trial of intradiscal thermal anuloplasty for back pain due to internal disc disruption. Spine, v. 25, p. 2601-07, 2000.

2. Bogduk, N.; Karasek, M. Two year follow-up of a controlled trial of intradiscal electrothermal anuloplasty for chronic low back pain resulting from internal disc disruption. The Spine Journal, n. 2, p. 343-50, 2002

3. Kapural, L.; Hayek, S.; Malak, O.; Arrigain, S. ; Mekhail, N. Intradiscal thermal anuloplasty versus intradiscal radiofrequency ablation for the treatment of discogenic pain: a prospective matched control trial. Pain Medicine, v. 6, p. 425-31, 2005.

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